domingo, outubro 15, 2006

Preto no Branco

“He’s a man whose happiness operated in a clearly defined structure”.

“The facts behind the Helsinki Roccamatios”, de Yan Martell


Vem este post a propósito de uma frase lida num livro.

Não pelo que está escrito mas pelo que, não estando, parece dali resultar claro:

Que a felicidade pode ser inversamente proporcional à clareza da estrutura definida.


O problema está em identificar onde flexibilizar.

A amiga nova

Num piscar de olhos a amiga nova do velho amigo passou de “ nunca conheci ninguém como ela, há qualquer coisa quando estamos juntos, tens que a conhecer!”, a “é ela, é ela”, a “não sei se quero namorar com ela”, a “quem faz o que ela fez é o quê!!?”, a “ quero alguém que me dê paz de espírito”, a “está decidido, vou acabar com isto”, a “as minhas orações foram atendidas, vai-se embora”, a “sei muito bem o que quero e não é isto”, a “jantámos e assistimos a um filme, parece que ela gosta mesmo de mim”, a “ se calhar ela vai-se embora e eu vou ter pena”…

E a cereja no cimo do bolo: “vá-se lá entender as mulheres!!!”

Transumância afectiva…existe?

sexta-feira, setembro 22, 2006

Canalhice

É deixar um pum sozinho dentro do elevador… para incriminar quem entra a seguir.

E não digo mais nada.

Frustraçao

Continuava sem conseguir abrir a porta para a vida.

Filosofia global

Fnac.

Hora do almoço.

Encontro alguém que não vejo faz tempo.

De nacionalidade holandesa, já tinha agarrado por duas vezes e voltado a colocar na estante um livro sobre Nietzsche, escrito em francês e que teria de ler para preparar uma tese de doutoramento sobre um autor português…

Ele há quem se meta em sarilhos…

quarta-feira, setembro 20, 2006

Cheguei a conclusao

Que não tenho um livro preferido, uma música da minha vida, o “meu” restaurante, o “meu” prato de eleição…O “meu” filme…

Que não tenho um destino para o qual fugiria sempre se pudesse…Na verdade, quando toca a destinos…tenho muitos para onde rumaria de bom grado!

Não tenho uma cor que prefira a todas as outras, um perfume de que não abdique, um autor que seja “the one and only”…

Cheguei à conclusão que sou uma pessoa dissipada…

….E agora?

segunda-feira, setembro 18, 2006

Uma verdade inconveniente

“ The time of half-measure has passed. We are entering a period of consequences".
Winston Churchill

A ver.

O filme é pedagógico, pela forma simples e acessível como as explicações científicas são dadas.

Interessante pelas fotos e filmes.

Assustador pelos números, pelas imagens que, não tendo sido manipuladas, nos dão bem a noção de como o ambiente tem sido violentado nos últimos anos e do que pode ser o futuro, se não pusermos travões a fundo.

Algumas das fotografias comparativas não estão distanciadas no tempo o espaço de uma geração. Esse foi talvez um dos factos que mais me surpreendeu.

Um período tão curto que não teve tempo de entrar nas memórias transmitidas dos mais velhos para os mais novos.

Um período tão curto que “o que era” não pode ter sido esquecido, apenas vem sendo sistematicamente ignorado. Sinal inequívoco de como vivemos de costas voltadas, indiferentes, ao que nos rodeia.

Al Gore cita Winston Churchill com propriedade.
O facto da “guerra” ser outra não tira força nem verdade ao pensamento.

A forma como tudo isto se conjuga é bem americana.

Um misto de factos, ciência, vida pessoal (e política), viagem intimista, acto de contrição, “toque do coração” , “casquinha de Kalimero”e mensagem de esperança.

Compreende-se a receita mas não sei se o tempero não acaba por tornar o “pacote light”.
Pelo menos na Europa.

Por último, a promoção do Sr. Al Gore é evidente.
Não me admiraria que num futuro próximo se candidatasse a qualquer coisa...o que me parece bem! Principalmente se se colocar em posição de levar os Estados Unidos a subscrever o protocolo de Quioto!

Tudo visto, um documentário para americanos, com um excelente orador, que não fará mal (antes pelo contrario!) ao resto do mundo ver.

Afinal, é a nossa casa que está em perigo.

domingo, setembro 10, 2006

Je veux

Je veux

Lê-se na capa do livrinho que um amigo me trouxe do Centro Pompidou.

Durante as férias mandou-me um sms “estás por cá ou andas às voltas no Médio Oriente?”...

Israel era o meu destino de férias este ano. E digo era. Porque não foi.

“Não foste é porque não tinhas mesmo que ir. Trouxe-te uma prenda quando de facto fores”.

Acreditar nisto é acreditar que o destino está traçado ( o que só por si mereceria um MEGA-POST!).

Agradeci-lhe a tentativa de consolo. E o livrinho de páginas em branco.

Na fase de euforia que caracteriza as vésperas de uma viagem, ao meu entusiasmo o mano Girassol contrapôs, com um misto de preocupação e censura:

“Quer dizer, não havendo outros destinos de interesse no mundo...resolveste ir de férias para o Paiol?!...”

Tinha razão.

Pelos vistos este capitulozinho da minha vida entrará lá mais à frente.

Enfim, outras páginas se preencheram no entretanto.

Este é um post sobre um destino adiado.

“Je veux”...

Pois...Pas encore...

Ainda da minha leitura de Verao

“To choose doubt as a philosophy of life is akin to choosing immobility as a means of transportation”


“Christianity is a religion in a rush. Look at the world created in seven days”.


(in "Life of Pi", Yann Martell)

Quoting

Ou a outra perspectiva da coisa...

“Animals in the wild lead lives of compulsion and necessity within an unforgiving social hierarchy in an environment where the supply of fear is high and the supply of food low and where territory must constantly be defended and parasites for ever endured.What is the meaning of freedom in such a context?Animals in the wild are, in practice, free neither in space nor in time, nor in their personal relations.In theory –that is, as a simple physical possibility- an animal could pick up and go, flaunting all the social conventions and boundaries proper to it´s species. But such an event is less likely to happen than for a member of our own species, say a shopkeeper with all the usual ties – to family, to friends, to society- to drop everything and walk away from his life with only the spare change in his pockets and the clothes on his frame. If a man, boldest and most intelligent of creatures, won´t wander from place to place, a stranger to all, beholden to none, why would an animal, which is by temperament far more conservative? For that is what animals are, conservative, one might even say reactionary”.
(...)

“Territories in the wild are large not as a matter of taste but of necessity. In a zôo, we do for animals what we have done for ourselves with houses: we bring together in a small space what in the wild is spread out.Whereas before for us the cave was here, the river over there, the hunting grounds a mile that way the lookout next to it, the berries somewhere else – all of them infested with lions, snakes, ants, leeches and poison ivy- now the rivers flows through taps at hand´s reach and we can wash next to where we sleep, we can eat where we have cooked, and we can surround the whole with a protective wall and keep it clean and warm.

A house is a compressed territory where our basic needs can be fulfilled close by and safely”.

(in “Life of Pi, Yann Martell”)

sexta-feira, agosto 18, 2006

Hoje dou-vos música!

"Barbacute", assim se chamam...

Ao vivo são um espectáculo!

Ouvide, ouvide.

Principalmente a primeira!

http://barbacute.blogspot.com/2006/04/klezmer-pixinguinha-villa-lobos.html

sexta-feira, agosto 11, 2006

Esperança


De início parecia um mail igual a tantos outros.

Da Guiné alguém pedia ajuda.

O amigo que o encaminhou tinha-lhe no entanto acrescentado um parágrafo:

“Pessoal a Esperança* que está no terreno é minha amiga e de inteira confiança. O tempo de permanência dela em Africa está a terminar e está por isso em contra-relógio para ajudar esta criança. Contribuam com o que puderem, qualquer quantia é bem-vinda”.

A amiga no terreno não trabalha para nenhuma organização humanitária, para nenhuma ONG.

Em vésperas do seu regresso uma mãe desesperada tinha-lhe, literalmente, batido à porta pedindo ajuda para salvar o filho. O pequenito precisava de ser operado.

Com um problema cardíaco diagnosticado e perante a impossibilidade de realização da operação na Guiné por falta de recursos, a única esperança de sobrevivência residia numa vinda a Portugal.

E a Esperança estava ali.
Abriu-lhe a porta e o coração.

Encaminhei o pedido para alguns colegas e amigos. Acrescentei-lhe um parágrafo.

“Meus amigos, este pedido chegou-me por um amigo de longa data. Se quiserem ajudar, para vos poupar trabalho (e se me têm em boa conta!), não me importo de depositar o nosso contributo em nome de todos. Só têm que me fazer chegar as vossas contribuições até amanhã à tarde, uma vez que estamos em contra-relógio. Naturalmente apresentar-vos-ei a prova de que o dinheiro foi parar a quem de direito!”.

Não passaram 10 minutos… e os contributos começaram a chegar.

Em menos de um fósforo tínhamos uma quantiazinha simpática.

“Avisa a Esperança de que vão entrar na conta X euros. Não é muito, para aquilo que ela deve precisar mas é um empurrãozinho”, disse ao meu amigo.

Ele ficou entusiasmado e espantado. Queria dar à amiga o meu contacto, queria que nos conhecêssemos. Ia contar-lhe o que tinha acontecido.

Não tinha abdicado de nada para ajudar este pequenino que não conheço.
Não me tinha afastado um metro do meu trajecto.
Tinha canalizado as contribuições do conforto da minha vida.

E o mesmo, estou segura, tinha acontecido com todas as pessoas que a mim se juntaram.

A euforia do meu amigo, por um acto tão pequeno, mostrava-me como nos tornamos indiferentes ao sofrimento dos outros.Fiquei constrangida.

Muito mesmo.
No mínimo, a minha atitude não devia ser a excepção mas a regra.

“A Esperança não precisa de saber como foi, só tem que saber que o dinheiro entrou. Agora, assim que souberes o que se passou, por favor conta!”

Pouco tempo depois soubemos que o nosso amiguinho Guineense já estava em Portugal. Tinha feito os exames que era suposto fazer e seria operado dentro de um mês.À partida, a operação não traria surpresas. Correria tudo bem.

Pelas minhas contas ou já foi operado, ou está a sê-lo por estes dias.

Para diminuir os custos durante a sua estadia em Portugal a Esperança tinha hospedado a mãe do menino em sua casa. Pelo tempo que fosse necessário.

Com o dinheiro que angariou trouxe ainda outro menino também ele a precisar de uma intervenção cirúrgica.

Fiquei com uma admiração profunda por esta miúda que não conheço.

Sei o que fez e pergunto-me se nas mesmas condições teria tido a coragem que ela teve.

Sei o que fez e respondo que se estivesse do “outro lado” gostaria que houvessem mais Esperanças.
Este argumento devia ser suficiente.

Sei o que fiz e penso que tenho de combater o meu egoísmo.

*Sim. Rebaptizei a heroína. Coisas do anonimato!